sexta-feira, 3 de julho de 2009

Teixeira de Freitas: Presos se rebelam após tentativa de fuga


No início da noite desta quinta-feira (02/07), 98 presos do Complexo Policial da sede da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil de Teixeira de Freitas se rebelaram nas 7 celas do único pavilhão da carceragem da unidade, depois que tiveram um plano de fuga frustrado pela Polícia Civil, informa o Teixeira News.
Os presos da cela-3 escavaram um túnel a partir do buraco da privada do banheiro da cela que deu acesso ao estacionamento do Complexo Policial. Três presos ainda conseguiram fugir, mas um já foi recuperado pela Polícia Civil, e os traficantes Luiz Henrique de Souza Barbosa, 22 anos, e Lucas Nascimento Silva, o "Baiano", 26 anos, continuam foragidos.
Com o impedimento de fuga dos demais presos que tinham plano para ganhar a liberdade pelo túnel, os detentos se revoltaram e colocaram fogo nos seus próprios colchões e estouraram todos os cadeados das celas, com pedaços de vergalhões retirados com serras das grades da unidade.
Após o primeiro ato dos presos, diversas equipes do 13º Batalhão da Polícia Militar compareceram ao local, inclusive com a presença do comandante tenente-coronel Barbosa Neto, do subcomandante Osires Cardoso e do chefe do serviço reservado e estratégico do Batalhão, capitão Anacleto França, que logo controlaram a situação. Os policiais da Companhia de Ações Especiais da Mata Atlântica – CAEMA, também foram chamados, tendo comparecido um efetivo sob comando do capitão Calmon.
Já aproximava-se da meia-noite quando as tropas militares invadiram o presídio e colocaram um ponto final da rebelião, tendo sido revistado um por um, até que fossem todos contados e os grupos destinados para os seus devidos lugares conforme a periculosidade dos internos. Alguns presos serão transferidos para o presídio do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas e a maioria permanecerá na delegacia até posterior decisão da justiça.
O delegado coordenador Marcus Vinicius está em viagem oficial a Salvador, mas o delegado plantonista Máderson Souza Dias, disse que os presos começaram as escavações, possivelmente na manhã desta quinta-feira (02), por meio do buraco da privada, considerando que o vaso sanitário do banheiro da referida cela havia sido trocado no dia anterior, entendendo que eles aproveitaram o cimento recente e deram início ao buraco, depositando toda a terra retirada no interior da própria cela-3.
O perito criminalístico Marco Antônio, que inclusive é engenheiro civil por formação, que procedeu ao serviço de perícia na área da rebelião, disse que a estrutura onde estão os presos foi construída para abrigar apenas 28 detentos e estão no local 98 internos, inclusive 13 menores. O perito acrescentou que o local é de terra arenosa e se a polícia não agisse a tempo, todos os presos poderiam fugir pelo túnel, onde a terra poderia ser retirada facilmente até com a mão.
Em tempo recorde os detentos serraram várias grades e retiraram dezenas de pedaços de ferros, que serviram para escavar o túnel e utilizar em caso de confronto com a polícia. Os presos disseram que promoveram o movimento para chamar a atenção da justiça que tem esquecido-os dentro da cadeia, onde muitos deles estão presos há quase 2 anos e nunca foram chamados em audiência e nem nunca foram sentenciados.
Os rebelados, quando falaram com os repórteres, minutos antes da polícia invadir o presídio e controlar a situação, “que existem frequentemente colegas que quando são sentenciados já havia cumprido o dobro da cadeia da sua pena, e muitos recorreram a processar o estado para reaver o tempo em que foram esquecidos no xadrez.
Em Teixeira de Freitas só existe um único juiz criminal para atender uma demanda de uma população estimada em 157 mil habitantes, quando o normal seria de no mínimo 3 juízes criminais para uma comarca da grandeza do município. E se o completo policial funciona com três vezes mais da sua capacidade de abrigo, o conjunto penal já possui hoje o dobro da sua capacidade, com 600 presos nas suas instalações.
A realidade é que falta gente na justiça para decidir e acompanhar o crescimento criminal e falta política prisional, ou seja, toda problemática das delegacias e presídios, tem sido por pura ausência do estado no atual sistema prisional da Bahia.

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