domingo, 27 de abril de 2014

Indústria paga mais por luz que antes da ajuda de Dilma

O resultado dos esforços do governo para reduzir os preços de energia elétrica para a indústria durou pouco mais de um ano. Cerca de 99% das empresas do setor pagarão mais pela eletricidade neste ano do que em 2012 -quando foi promulgada a MP 579 a fim de diminuir os preços-, mostra levantamento da Comerc Energia, feito a pedido da Folha. Publicada em setembro de 2012, a MP 579 (convertida na lei nº 12.783) prometia deságio médio de 28% nas tarifas para a indústria no ano de 2013. No entanto, a queda foi menor e, com os reajustes já aprovados em 2014, os consumidores industriais pagarão, em média, 23,8% a mais do que no período anterior à aprovação da MP. Consideradas as seis principais distribuidoras que já tiveram aprovados reajustes neste ano -AES Sul, Cemat, Coelba, Coelce, Cemig e CPFL Paulista-, os preços médios deste ano ficarão em R$ 182 por megawatt-hora (MWh). Em 2012, o preço médio era de R$ 147 por MWh. A alta registrada nos custos é bem superior à inflação do período (de 11% desde setembro de 2012). No calendário de reajustes, os principais aumentos previstos neste ano daqui para a frente são o da Eletropaulo, que abastece a região metropolitana de São Paulo, em julho, da CEEE, fornecedora da Grande Porto Alegre, em outubro; e da Light, da Grande Rio de Janeiro, em novembro. Ainda não há estimativa para esses aumentos. O cálculo da Comerc, consultoria e comercializadora de energia, desconsidera os consumidores do mercado livre, que negociam diretamente com distribuidoras. Isso porque a MP era destinada a baixar os custos do mercado chamado de "cativo" -o que tem seus preços regulados pelo governo. O mercado livre é restrito a grandes companhias, menos de 1% do total, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), embora em volume elas representem cerca de 60% do consumo do setor. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) não quis comentar a alta dos custos de energia.

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