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domingo, 2 de julho de 2017

Lei em Jussari declara Ceplac patrimônio científico imaterial

Jussari será o primeiro município brasileiro em região produtora de cacau nos biomas Mata Atlântica e Amazonas a declarar a Ceplac patrimônio científico imaterial pelo acervo de trabalhos técnicos, científicos e de pesquisa e de valorização dos saberes etnobotânicos desenvolvidos, ininterruptamente, ao longo de mais de 60 anos. Na tarde de quinta-feira, no auditório do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), na Superintendência da Ceplac na Bahia, o prefeito Antônio Carlos Bandeira Valete anunciou a medida e assinou Mensagem que será enviada à Câmara de Vereadores deste município sulbaiano.
Para o presidente do Conselho de Entidades Representativa dos Servidores da Ceplac, José Bezerra da Rocha, o reconhecimento é manifestação de apoio importante à instituição que passa um dos momentos mais difíceis de sua história, com seu rebaixamento a departamento da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Há um ano iniciamos uma luta para restabelecer o status da Ceplac. É luta difícil, muito difícil que exige dedicação e firmeza e, mais do que isso, o engajamento da sociedade que demanda seus serviços”, afirmou. Segundo disse, quem falar de cacau no país há de se referir à Ceplac, pois sem as pesquisas científicas que a instituição desenvolve em favor da lavoura não teria sido possível elevar o patamar do produtor, que viveu momentos de ouro e agora inicia a retomada após a doença vassoura-de-bruxa que atacou plantações no sul da Bahia. “A Ceplac incentivou a fruticultura, o cultivo de dendê e seringueira. Portanto, há muito o que se fazer para que não se perca o acervo do banco de germoplasma, as pesquisas científicas e o capital humano de reconhecida competência internacional”, assinalou. O prefeito de Jussari destacou que a criação da lei também é reconhecimento ao desenvolvimento do seu município, já que a Ceplac atua para transformar as regiões produtoras de cacau, onde promove a inovação, transferência tecnológica, assistência técnica e extensão rural, fiscalização agropecuária, certificação e a organização territorial e socioprodutiva. “A preocupação dos cientistas e técnicos também se dá em relação ao homem, a conservação ambiental e a preservação de espécies arbóreas da floresta Amazônica e da Mata Atlântica, como Pau-brasil e Jacarandá da Bahia”, lembrou. O superintendente da Ceplac na Bahia, Antônio Costa Zugaib, agradeceu a iniciativa do prefeito Antônio Carlos Bandeira Valete que, segundo afiança, chega no momento em que a instituição está sendo reavaliada por comissão do ministério. Citou as audiências públicas em apoio à Ceplac em Ilhéus, Itabuna, Ipiaú e Valença, Assembleia Legislativa da Bahia e Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, mas acredita que a Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste (AMURC) deve liderar as ações pelo soerguimento da Ceplac, abertura de concurso público e sua recuperação orçamentária. A mesma posição defende o diretor do Centro de Pesquisas e Extensão, Raul René Valle, que destacou os projetos em andamento com ensaios em fazendas na busca de clones resistentes e tolerantes às doenças do cacau e de alta produtividade. “Atualmente estamos com ensaios em estágio avançado. Tudo o que fazemos é para a melhoria da qualidade do fruto do cacaueiro e em benefício do produtor. O chocolate continua abrindo novos mercados, há aumento do consumo em nível mundial e as condições de financiamento da produção também estão melhorando, o que nos garante futuro melhor”, sentenciou. Também participaram da solenidade a vereadora de Jussari Maria das Graças Costa Santos Viana, Gal Vereadora, e o diretor de Indústria e Comércio de Itabuna, Herlon Botelho.

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