A "repressão brutal" de jornalistas nos recentes protestos em São Paulo
contra o aumento das tarifas do transporte público representa, na
avaliação da ONG Repórteres Sem Fronteiras, "um desvio repressivo
perigoso" e também uma ameaça à liberdade de informação. A Polícia
Militar reagiu às manifestação de quinta-feira no centro da capital
paulista com bombas de efeito moral e balas de borracha. Vários
jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos foram atingidos pelos disparos
ou levaram golpes de cassetete; alguns deles chegaram a ser presos. "Vamos pedir à Secretaria dos Direitos Humanos e às autoridades
brasileiras para realizarem uma investigação sobre as violências
cometidas", disse à BBC Brasil Benoît Hervieu, responsável pelas
Américas da Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, acrescentando
que as autoridades precisarão explicar como a polícia chegou ao ponto de
"realizar uma repressão tão brutal". "A prefeitura e o governo de São Paulo e também o comando da Polícia
Militar deverão prestar contas em relação às ordens transmitidas aos
policiais", disse o porta-voz. "A Constituição brasileira está sendo
desrespeitada. Além da brutalidade dos policiais, as acusações contra os
jornalistas não têm fundamento", afirma Hervieu.
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